Viagens / Trips

Nova Iorque#1

Nova Iorque. A cidade que nunca dorme. A cidade das luzes, das cores, das formas, das artes, dos cheiros, dos movimentos, das pessoas, dos táxis amarelos! Porquê Nova Iorque? Sempre foi uma cidade que esteve no topo das minhas preferências para visitar. Mas a viagem é dispendiosa, muito longa, necessitas de visto e passaporte. Porque não viajas dentro da europa?

Para melhor explicar necessito de recuar sensivelmente um ano atrás. Em Abril de 2015 emigrei para Inglaterra. Deixei para trás tudo em que acreditava até então e vim fazer-me à vida mas principalmente, deixei a família lá, embora que apenas a 2:30h de voo de distância mas alguns milhares de km’s separam os dois países. Cerca de um mês depois fiquei a saber que a minha irmã também pretendia emigrar. Para onde? Newark, do outro lado de Nova Iorque. Coincidência? Não sei… Mas isso significa que estaria agora a cerca de 8h de voo, muitos milhares de km’s mas, sobretudo, um oceano separando dois continentes, separando duas irmãs. São escolhas e cada uma de nós resolveu lutar pela sua vida em países diferentes. Em Junho, perto do dia do meu aniversário consegui tirar uns dias para ir a Portugal visitar a família. Foi a última vez que vi a minha irmã. Sim, porque nesse dia, eu aterrei e ela levantou voo. A última vez que vi a minha irmã foi no aeroporto. Foi a última vez que senti o cheiro dela, foi a última vez que memorizei os detalhes da sua face, foi a última vez que senti o seu abraço forte, foi a última vez que a ouvi dizer ‘Amo-te’. As lágrimas foram inevitáveis!

Foram precisos oito longos e dolorosos meses para que pudesse voltar a sentir o abraço da minha irmã. Dia 29 de Fevereiro de 2016 viajava não só para uma das cidades que sempre quis visitar mas também para aquele rosto sensível, de tons claros e sorriso rebelde. Viajava para ver a minha irmã! Os dias anteriores à viagem foram horríveis, por querer apressar o tempo, porque tinha a mala para fazer e, como mulher, saber que não posso levar tudo mas ainda assim tentar fazê-lo (ahah), por ser a minha primeira longa viagem mas sobretudo, por saber que ia finalmente vê-la.

A viagem fez-se bem, foi tranquila, sem turbulência, o atendimento foi muito bom, o avião bastante cómodo e com bastante entretenimento (viajei com a United Airlines) e, finalmente, aterrei. Vou passar os pormenores da passagem pela segurança ao entrar noz EUA ou da recolha de bagagem. Agora só penso em voltar a ver a minha irmã com medo que tudo isto seja apenas um sonho, que eu esteja apenas a dormir. Não! Não é! Consigo vê-la! (Estarei a ver bem?) Sim. É ela! É a minha ‘little sis’ (como carinhosamente a chamo) a correr para mim. Abraço-a tão forte que sinto que se fizer mais força posso partir-lhe um costela. Volto a sentir o cheiro dela, volto a memorizar os contornos da face dela mas, mais importante, volto a ouvir as nossas lágrimas dizerem o quanto nos amamos!


New York. The city that never sleeps. The city of lights, colors, shapes, arts, smells, movements, persons, yellow cabs! Why New York? It has always been a city that was at the top of my preferences to visit. But the trip is expensive, very long, you need a visa and passport. Why don’t you travel within Europe?

To better explain I should to go back significantly a year ago. In April 2015 I emigrated to England. I left behind everything I believed in until then and came to fight for my life but mostly, left the family there, although only 2:30 hours of flight distance but a few thousand km’s separating the two countries. About a month later I’ve been told that my sister also wanted to emigrate. Where? Newark, across New York. Coincidence? I don’t know… But that means would now be about 8 hours flight, many thousands of km’s, but above all, an ocean separating the two continents, separating two sisters. There are choices and each of us had to fight for our own life, in different countries. In June, near my birthday I could take a few days to travel to Portugal, visiting family. It was the last time I could saw my sister. Yes, because on that day, I landed and she was about to take off. The last time I saw my sister was at the airport. It was the last time I could smell her, was the last time I memorized the details of her face, was the last time I felt her warm embrace, it was the last time I heard her say ‘I love you’. The tears were inevitable!

It took eight long and painful months so I could return to feel the embrace of my sister again. February, 29, 2016 I was traveling not only to one of the cities that I always wanted to visit but also for that sensitive face, clear tones and rebellious smile. I was traveling to see my sister! The days prior to the trip were horrible, for wanting to rush time, because I had the suitcase to do and, as a woman, knowing that I can’t take it all but still try to do it (ahah), to be my first long flight but especially knowing that I would, finally, see her.

The trip was alright, it was quiet, without turbulence, the service was very good, the plane quite comfortable and quite entertaining (traveled with United Airlines) and finally landed. I’ll skip the details of the passage through security when entering USA or collecting baggage. Now I just think about seeing my sister being afraid that all of this is just a dream, that I’m just sleeping. No! It’s not! I can see it! (Am I seeing right?) Yes. That’s her! It’s my ‘little sis’ (as I affectionately call her) running to me. Embrace her so strongly that I know if I do any more force I can break her a rib. Again I smell her, again I remember the contours of her pretty face, but more importantly, I again hear our tears saying how much we love each other!

One thought on “Nova Iorque#1

  1. Eu também deixei a minha família, mas estão a umas meras 2 horas de viagem e consigo lá ir com bastante frequência, felizmente.

    Quanto a Nova Iorque… é uma viagem com a qual sonho (muito)

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